Para Émerson Cardoso
Eu sou um soldado romano. O meu nome não importa. Só o meu cargo importa. Só o meu cargo importa… Minha família está em casa. A mulher mais bela de Roma é minha. E ela me deu um menino com o sorriso mais doce que já vi. Mas eu não posso me comover tanto assim. Eu preciso dominar meus pensamentos e sentimentos. Eu preciso ter clareza mental todo o tempo. Eu não posso me deixar arrastar pelo sentimentalismo. Eu sou um soldado romano. Eu sou. Mas que lugar é este? Não é Roma nem seus arredores. Nunca vi uma noite tão azul em Roma. Mas onde estão os outros soldados? Por que estou sozinho aqui? E ainda fardado… Como vim parar aqui? Não me lembro. Está frio e escuro. Não há uma alma viva há léguas de distância ou, se há, não as vejo. Que lugar é esse? Não há um ser vivo além de mim! Que lugar é esse? Como eu cheguei aqui? Isto parece um pesadelo! Por que ainda estou vestido para a guerra? A guerra… Eu estava na guerra e, depois, apareci aqui. Se estamos em guerra, onde estão todos? Se a guerra acabou, por que não estou em casa amando minha mulher? Que mistério é esse? Que peça é essa que os deuses estão tentando me pregar? A quem vou dizer que sobrevivi à guerra? Onde estão minhas honras e espólios? Espera um pouco. Se eu venci a guerra, o que estou fazendo neste lugar que não conheço, sozinho? Eu venci a guerra? Eu venci? Que lugar é esse? Onde está a minha memória? Que martírio é esse? É pior que a morte! Morte… Eu estou morto? Eu morri na guerra? E por que ainda estou fardado? Se estou morto, por que ainda me sinto vivo? AH! Alguém me diga o que está acontecendo? Eu quero voltar para casa. Eu quero a minha mãe! Choro como um menino e minha mãe surge luminosa para me salvar. Eu era um soldado romano. Eu fui um soldado romano. Nos braços de minha mãe, sou apenas uma alma angustiada.

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