Não sei lhe dizer se ele era bonito. Não me lembro de ela ter me falado
sobre o rosto dele. Nossa conversa, se não me escapa a memória, girou em torno
de suas partes mais íntimas. Ela confessou-me ter sido tocada em seu âmago pela
genitália do rapaz, mas não da forma que você está pensando. Desculpe-me se me
demoro neste preâmbulo. Faço isso tão-somente para não assustar o ilustre
leitor, pois eu mesmo fiquei deveras assustado; não com o que disse, mas como
disse. Portanto, vou deixar aqui as palavras dela.
Eu estava quieta.
Putz! Eu estava quieta! Eu sou quieta, desde que não mexam comigo. Mas, ontem,
eu estava na minha. Eu bem relax,
pedindo meu café, quando chega aquele cidadão. Aquele... Você sabe de quem
estou falando.
Na hora, eu soube.
Agora já esqueci.
Pois bem, aquele diabo
apareceu para me atentar. Ele veio diretamente das profundezas do inferno só
para azucrinar o meu juízo. Porra! Até o Diabo sabe tratar uma mulher melhor do
que aquele camumbembe.
Eu ri. Ri do
camumbembe.
Ria do meu penar. Ria.
Pode rir. Ria, porque eu estou puta da vida! Aquele escroto teve a cara de pau
de me chamar para passar uma tarde na casa dele. “Tá” – menti. Disse sim só
para encerrar o papo e me livrar daquele encosto. Só que ele veio atrás de mim.
Putz! Ele veio atrás de mim!
Súbito ela ruborizou
de raiva.
Calma. Respire.
Quando ele afagou os
meus cabelos, eu me arretei. Eu me arretei... Eu só não tasquei o café quente na cara
dele, porque o café não merecia. Mas ele ouviu: “Você acha que eu preciso de um
pau? Eu tenho um em casa, de silicone, lindo! Eu não preciso do seu!”.
Minha expressão facial
sumiu tamanho o meu espanto.
Ele fez essa mesma
cara de bunda e eu fui embora.
Só? E o leitor?
É responsabilidade
sua.
Não sei como terminar.
Não tenho palavras.
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