Páginas

8 de jun. de 2016

Há amor em tempos de chuva


            Dia dois de junho de 2016. Uma manhã chuvosa na capital paraibana. Contudo, algumas tempestades internas são mais severas e não nos permitem dormir. Foi em minha própria nuvem de chuva que cheguei à UFPB naquele dia. Quem viu de fora talvez não tenha visto, mas eu estava me sentindo terrivelmente fracassada. Entre os motivos para uma insatisfação tão generalizada, poderíamos encontrar o fato de eu ainda não ter concluído a minha graduação em Letras. Entretanto, nada é tão ruim que não possa melhorar.
            Naquela manhã chuvosa de junho, eu fui à UFPB, mas meu pensamento estava bem distante das atividades acadêmicas, mais ainda das atividades já realizadas. Na verdade, era meu coração quem estava ali, pois eu fora à UFPB para participar de um evento que, a priori, não tem nenhuma ligação direta com o meu curso universitário: uma mesa-redonda sobre a história da biodanza na Paraíba. E, como a vida é imprevisível, alguns acordes me tiraram para dançar na chuva.
            Naquele dois de junho, uma manhã chuvosa, não sei se teve arco-íris, mas recebi um potinho de ouro. Em um corredor extraordinariamente banal, encontrei uma colega de turma que, subitamente, declarou: “Eu me senti muito amada com aquele roteirinho (de apresentação) que você entregou. Eu me senti orgulhosa de estar no curso de Letras”.  Ela se referia a um seminário que eu havia apresentado quinze dias antes e que ela não assistira, apenas recebera o roteiro, em virtude de um pequeno atraso. Talvez por isto ela não tenha sabido que, neste mesmo seminário, recebi o epíteto de “impiedosa” por ter sido muito exigente na análise de um TCC. Não obstante, sua declaração me deixou sinceramente comovida. Eu não era tão fracassada assim, afinal. Despedimo-nos e cada uma seguiu seu destino, preenchida de amor.
            Assim como naquela manhã chuvosa, eu, neste dia bonito de sol, ainda não sou professora. Entretanto, senti-me realizada por aquela breve apresentação sobre como não se fazer um trabalho acadêmico ter sido tão importante para aquela moça. Acredito que, como afirma Leo Buscaglia, o sentido maior de se aprender alguma coisa é poder passá-la para outras pessoas. Por este motivo, ao montar aquele roteirinho, o qual fez minha colega de turma sentir-se tão amada, minha intenção foi dividir com os alunos um pouquinho de mim, um pouquinho do que eu sei sobre metodologia da pesquisa.
            Por isso que, naquela manhã chuvosa, as nuvens logo se dissiparam e eu me senti profundamente amada e feliz por um pouquinho de mim ter sido muito para alguém.

                                                                                                      

Um comentário: